Gilberto Kassab, presidente do PSD, tem se colocado como um dos principais articuladores políticos do país ao reafirmar que o partido terá candidatura própria em 2026. A decisão marca um afastamento definitivo de Luiz Inácio Lula da Silva, a quem Kassab diz respeitar, mas não pretende apoiar.
O movimento do PSD em São Paulo é um dos pilares dessa estratégia. A legenda conseguiu atrair seis dos oito deputados estaduais tucanos e dezenas de prefeitos, ampliando sua base municipal e enfraquecendo o PSDB, que já vinha em declínio.
A debandada tucana provocou reações duras. O ex-presidente do PSDB, Aécio Neves, acusou Kassab de agir como “fundo abutre”, aproveitando-se da fragilidade interna do partido para expandir sua influência. Kassab, por sua vez, manteve o discurso de fortalecimento institucional.
O PSD já havia conquistado 207 prefeituras em 2024, contra apenas 21 do PSDB, consolidando-se como força política relevante em São Paulo. Esse avanço é visto como parte de um plano de longo prazo para reposicionar o partido no tabuleiro nacional.
No plano federal, Kassab insiste que o PSD terá candidato próprio à Presidência. Entre os nomes cotados estão Ratinho Jr. (Paraná), Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). A escolha deve ser anunciada até abril.
A postura firme de Kassab também repercute em Brasília. Ele descartou apoiar Flávio Bolsonaro, defendendo uma candidatura de centro-direita distinta da linha adotada pelo PL. Essa posição coloca o PSD como alternativa moderada em meio à polarização.
Em São Paulo, Kassab mantém diálogo com o governador Tarcísio de Freitas. Embora insista em candidatura própria, já declarou estar à disposição para compor como vice em uma eventual chapa de reeleição de Tarcísio, sinalizando flexibilidade nas alianças regionais.
Analistas políticos avaliam que Kassab busca consolidar o PSD como protagonista nacional, capaz de influenciar tanto no Congresso quanto nas disputas estaduais. A estratégia de expansão sobre o PSDB é vista como parte de um plano calculado para ocupar o espaço deixado pelos tucanos.
O dilema do PSD é transformar crescimento institucional em viabilidade eleitoral. Sem um nome de grande densidade nacional, o partido corre o risco de se tornar apenas coadjuvante nas eleições presidenciais.
Ainda assim, a força conquistada em São Paulo é um trunfo. O estado é o maior colégio eleitoral do país e pode dar ao PSD a base necessária para projetar uma candidatura nacional.
Kassab aposta em sua habilidade de articulação, conhecida por construir pontes e negociar espaços sem confrontos diretos. Esse estilo já lhe garantiu sobrevivência política em diferentes cenários e pode ser decisivo em 2026.
Com a aproximação do prazo para definição de candidaturas, Kassab se coloca como peça-chave da sucessão presidencial. O sucesso ou fracasso de sua estratégia terá impacto direto no futuro do PSD e pode até redefinir o espaço do PSDB na política brasileira. (Com informações da Agência O Globo, NDTV e Portal Metrópoles)