Romeu Zema encerra oito anos à frente de Minas Gerais com uma marca difícil de apagar: o crescimento acelerado da dívida pública estadual. Em 2019, o passivo girava em torno de R$ 114 bilhões. Em 2026, o montante já ultrapassa R$ 176 bilhões, segundo dados oficiais. A estratégia de suspender pagamentos via liminares judiciais apenas adiou o problema e ampliou os encargos financeiros.
O déficit orçamentário também se tornou um símbolo da gestão. No último ano de mandato, o rombo chegou a R$ 11,3 bilhões, acompanhado de restos a pagar de R$ 3,7 bilhões. A despesa com pessoal alcançou 48,22% da Receita Corrente Líquida, quase no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, o que restringe a capacidade de investimento do Estado.
Outro ponto de desgaste foi a política de isenções fiscais. Grandes empresas receberam benefícios que somaram cerca de R$ 24 bilhões em 2026. Críticos afirmam que a medida reduziu a arrecadação e comprometeu serviços públicos essenciais, enquanto o governo defendia que os incentivos eram necessários para manter empregos e atrair investimentos.
As tentativas de privatizar empresas estratégicas, como Cemig e Copasa, enfrentaram forte resistência política e social. A proposta nunca avançou de forma definitiva na Assembleia Legislativa, mas alimentou a percepção de que Zema priorizava o mercado em detrimento da população.
A condução dos acordos com a Vale, após os desastres de Mariana e Brumadinho, também gerou polêmica. Setores da sociedade civil e especialistas apontaram que os termos foram lesivos ao Estado, com valores considerados insuficientes para reparar os danos ambientais e sociais.
No campo político, Zema foi criticado pela falta de diálogo com a Assembleia e pela dificuldade em construir pontes com o governo federal. Essa postura reforçou a imagem de gestor técnico, mas pouco habilidoso na articulação política, o que pode pesar em uma eventual campanha nacional.
Apesar das críticas, não há registros de acusações formais de roubo ou corrupção contra o governador. As falhas apontadas concentram-se em decisões de política econômica e fiscal, não em desvios pessoais ou ilícitos. Essa ausência de escândalos pode ser um trunfo, mas não neutraliza os números negativos das contas públicas.
Em uma possível campanha presidencial, os calcanhares de Aquiles de Zema serão o endividamento recorde, o déficit bilionário e a política de isenções fiscais. Esses pontos fragilizam o discurso de eficiência e gestão responsável, abrindo espaço para adversários questionarem sua capacidade de conduzir o país.
Fontes: Estado de Minas, O Tempo, Folha de S.Paulo, Valor Econômico, G1