A participação feminina no agronegócio brasileiro deixou de ser uma perspectiva para se tornar uma realidade estratégica consolidada. Dados do IBGE mostram que mais de 31% das propriedades rurais do país são comandadas por mulheres, percentual que chega a 53,8% na região Nordeste. Para Ana Paula Sodré, Diretora Jurídica do Grupo GIROAgro, o desafio é ampliar essa presença em todos os níveis organizacionais.
“O avanço feminino no campo e na gestão é inegável e representa evolução para todo o setor. Valorizar a competência, a formação técnica e a capacidade de liderança independentemente de gênero é um passo essencial para que o agro continue crescendo de forma sólida, moderna e competitiva”, afirma Sodré. Ela destaca a importância de reconhecer o talento feminino para o desenvolvimento do setor.
No dia a dia das produções, o protagonismo das mulheres é evidente. Segundo a 9ª Pesquisa ABMRA, 70% das mulheres do agro trabalham oito horas ou mais por dia no gerenciamento das propriedades, mostrando seu papel ativo e estratégico nas decisões do campo. Essa dedicação reforça a importância da mulher no agronegócio brasileiro.
Um marco recente que simboliza essa evolução foi a concessão do World Food Prize à cientista brasileira Mariangela Hungria, primeira mulher do país a receber o prêmio conhecido como o “Nobel da Agricultura”. Hungria é reconhecida por seus estudos que permitiram substituir fertilizantes químicos por técnicas orgânicas, aumentando a produtividade da soja no Brasil.
Para Sodré, o reconhecimento internacional reforça que a competitividade no agro depende da ciência, inovação e da ampliação do espaço para mulheres. “Ampliar a participação feminina exige capacitação, ambiente seguro, critérios transparentes e redes de apoio”, explica a diretora, destacando os pilares para o avanço feminino no setor.
“No Brasil, onde o agronegócio é uma das principais forças econômicas, essa transformação é particularmente significativa. A presença feminina tem crescido acompanhando a evolução tecnológica e a profissionalização das atividades no campo”, conclui Sodré. O setor caminha para uma produção mais inclusiva e eficiente.
Assim, o protagonismo feminino no agronegócio fortalece a economia, impulsiona a inovação e contribui para a sustentabilidade, consolidando-se como elemento-chave para o futuro do setor no Brasil.